sexta-feira, 6 de abril de 2018

As últimas incertezas do dia da prisão de Lula


Se o presidente se entregar, ele será o primeiro líder preso por corrupção na história do país
Lula: o ex-presidente passou a madrugada no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo (Ricardo Stuckert/Lula/Facebook/Divulgação)
Esta sexta-feira entra para a história do Brasil. Com mandado de prisão expedido pelo juiz federal Sergio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se apresentar à Polícia Federal em Curitiba para o início do cumprimento de pena até as 17 horas.
Lula será o primeiro ex-presidente preso por corrupção na história do país – outros quatro chegaram a ser presos na inauguração de regimes de exceção. Se não se apresentar, será a primeira vez que alguém de tal envergadura desafia uma determinação da Justiça.
Lula passou a madrugada no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Ainda não se sabe o que ele pretende, mas aliados petistas tentam emplacar a ideia de que ele não se apresente às autoridades.
Havia inclusive uma vigília de simpatizantes do ex-presidente programada para iniciar nesta sexta-feira, que o acompanharia onde fosse.
“É a cara do Moro essa perseguição implacável. (…) Tinham que vir prender aqui, no meio do povo, um gesto simbólico”, disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ).
Há ainda uma possibilidade de suspensão da prisão. A defesa do ex-presidente entrou ontem mesmo com um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça para tentar impedir a prisão imediata do petista.
O argumento é que o TRF-4, de Porto Alegre, antecipou a execução da pena ao determiná-la antes da publicação do acórdão do julgamento dos embargos apresentados pelos advogados.
O Partido Ecológico Nacional, autor de uma das ações que questionam a possibilidade de prisão em segunda instância, requisitou ao ministro-relator da proposta Marco Aurélio Mello que suspenda com uma liminar o cumprimento antecipado de pena e leve sua decisão para análise do plenário do Supremo.
É uma forma de driblar a resistência da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, em pautar o tema.
O tema merece atenção desde cedo e todos os olhos estarão no Sindicato dos Metalúrgicos. Lula ainda não discursou aos manifestantes que o acompanham. Mas as pautas para inflar seu discurso de perseguido não são conhecidas.
Além do voto controverso da ministra Rosa Weber no julgamento de quarta-feira, e da resistência da presidente da Corte, Cármen Lúcia, em pautar um novo julgamento sobre a possibilidade de prisão após segunda instância, Lula pode tratar da rapidez de seu processo: foi o mais rápido entre sentença em primeira instância e ordem de prisão, com menos de nove meses de intervalo, ante de 18 a 30 meses em casos semelhantes.

Fonte: exame.abril.com.br